terça-feira, outubro 6

(Apontamento de uma noite nostálgica in Diário de Bordo - Concerto )

"Gosto de especular sobre as pessoas, gosto de imaginar e reinventar estórias. Gosto de pensar que o senhor do saxofone de olhos pesados tem uma estória vincada nas rugas faciais. Gosto de lhe atribuir uma narrativa e enquadrá-lo num pensamento meu."

"Se a música não vale pelos instrumentos de que é composta ou pelos sons que produz, vale somente pelas emoções que provoca e pelas distâncias que alcança. Estou aqui..mas poderia estar em qualquer lugar desde que os doces acordes do piano não me largassem a pele e a alma."

Andreia Silva

sexta-feira, setembro 25

À primeira vista (suspiro)


DieUmarmung (Abraço) , 1917, Egon Schiele
Óleo sobre tela, Österreichische Galerie, Belvedere, Viena
"Não pela forma, não pela nome, muito menos pelo tema.. foi assim intencional. Aconteceu sem propósito, aconteceu sem estória ou critica e por isso foi, sim, à primeira vista. Soberbo..."
Andreia Silva

terça-feira, setembro 15

Perfection in Form (Título da exposição)



Robert Mapplethore
Galleria dell´Academia, Florence, Italy
May 25, 2009 - January 10, 2010


Uma exposição intrigante para quem não compreende a dimensão e potencialidade do corpo. Um percurso visual apaixonante para quem encontra no corpo e na forma a beleza humana. Uma mistura eléctrica perdida nos seios femininos e a concentração da virilidade esbatida nos poderosos músculos masculinos. Simplesmente delicado.

domingo, setembro 13

Liberdade?

A Liberdade não existe. Não no sentido lato do vocábulo, não na consciência multiplicada da palavra, não naquilo que supomos ser a liberdade. É indecifrável, é tão simplesmente indefinível que não estou capacitada para lhe atribuir um significado claro e concluso. Porem também eu pensara que a liberdade era algo possível, que nada impedia que um espírito livre de todas as recompensas momentâneas pudesse realmente ser livre. Não compreendam a dimensão de tudo aquilo que o vocábulo encerra como algo prático, como algo diário que podemos atribuir puramente à liberdade social ou judicial. Não é isso que abarca a minha ideia de tal assunto. Anteriormente julgava-me crente na possibilidade de ser-se completamente livre, totalmente independente de tudo aquilo que pudesse criar raízes, que pudesse possuir amarras materiais ou espirituais. Confuso? Um pouco. Partilho alienadamente desta teoria e sinto-me perdida nas dimensões infundadas da minha afirmação primária.

Facto pelo qual introduzi primeiramente a negação: A memória.

É isso, a memória, as recordações, as deduções e todos a abrangência do domínio cognitivo que nos sustenta no mundo material e nos eleva ao mundo metafísico. Sem memórias não somos. Ser e recordar são frutos da mesma essência. Como poderia alguém sem recordar as origens, os amigos, o cheiro e tudo aquilo que os olhos possibilitam deliciar? E não é possível voluntariamente dissipar algo da memória, excepto o tempo, somente ele pode enfraquecer as recordações remotas de todo um percurso humano. Temo pelas horas, temo pela carência humana da qual partilho, receio profundamente dissipar de mim as reminiscências. Agora receio.

No entanto, em alturas imaturas pensei ser totalmente dependente de tudo isto. E achei-me capaz de estar em qualquer lugar sustentando-me somente de mim, imaginei-me capaz de ser livre sem estremecer ou recuar. Agora vejo com limpidez que mesmo na dormência da razão eu sempre estive certa da estabilidade e talvez por isso nunca poderei ser livre na concepção que determinei para tal ideia. Necessito de segurança, de crer ficticiamente que nunca estarei nas trevas, de que terei um amparo quando tudo o que imaginei ser tiver esvaído por entre os dedos. É isso que faz com que a liberdade não exista, é isso que não me permite estar só dos outros e acompanhada somente dos meus desejos. O que acontecerá quando a maturação humana tiver deteriorado todos os anseios da juventude? Eu saberei certamente que corro pela precisão dos outros. Que estar só e livre não significa encontrar a felicidade, denota pelo contrário insistir no erro, repisar e sustentar o embuste protector da necessidade. E necessito tanto dos outros quanto de mim, isto porque me recordo das conversas demoradas, dos amores aspirados, do conforto material e da segurança interior que tudo isto representa.

domingo, agosto 30

Sossego-me de perturbações furiosas dando espaço à plenitude do espaço e do tempo. Sinto-me assim, meio efémera, meio intemporal. Não, minto eu sou muito mais efémera do que aquilo que me sinto e muito menos intemporal do que o meu desejo. Sou uma espécie de ser que vagueia interminavelmente por esta condição.

A intelectualidade apaixona-me e destroi-me sucessivamente. Faz me falta a razão para compreender a operacionalidade da vida. Faz me falta viver e não saber fazê-lo. É isso.

quinta-feira, agosto 27

LIT NIGHT

Permaneço nesta dormência crónica em que os desejos procedem realidades, a caminhar sobre as estradas sinuosas das ruelas em que não estive e me ausento das memórias onde fui. Por que retenho as recordações dos rios que não vi e as cidades que não visitei? É o compasso ansioso de quem nunca saiu ou esteve. Reinvento mapas e encontro países, e engano-me tão descaradamente que por vezes nem eu mesma acredito. Eu, que critico seguramente o vazio sinto-me permanecer no vácuo, nas sombras deambulantes sobre a parede branca. Do lado de fora as fechaduras surgem gigantescas, vejo-me a sufocar só de me prender nelas e no entanto são as que escolho quando procuro o recolhimento do interior.
Mesmo com o desejo injectado da aprendizagem ensino-me a repousar e descanso deste tédio incontrolável que bane pessoas e lugares.É tudo uma questão de ignorância, de procurar moldar o que já foi criado, é o pensamento na substituição quando o elixir se encontra na criação. São meros excessos, pensamentos furiosos do imediato e inconscientemente o caminho convidativo da loucura. E não suporto esperar, porque me concentro somente na inquietação. Talvez seja somente a pressa de quem nunca esteve capacitado para o tamanho da vontade. E nada me soa a verdade de tão amadurecido que é, porque talvez as coisas urgentes não sejam as necessárias, uma mera ficção de tudo.



A impaciência não me deixa dormir e isto sim aborrece e entedia.

sexta-feira, agosto 7

As vontades intencionadas requerem esforço. De modo passivo e refens do comodismo não se podem nem devem alcançar.